sábado, 31 de dezembro de 2011

Trinta e Um de Dezembro

Esse é o último dia do ano. Parece que tudo fica num tom de revisão. Para mim, esse ano foi um ano de autoconhecimento, de aceitação, e de ensinamentos. Ainda não sei se no final das contas, o saldo e positivo ou negativo, mas tenho coisas das quais eu tenho orgulho, e coisas das quais eu quero esquecer.
Com certeza foi o ano que mais vi a estrada. As idas e vindas de Sumaré, tirando as viagens. Sim, esse ano eu viajei muito. Conheci lugares e sensações novas, mas também reencontrei motivos para voltar a gostar de lugares como Poços de Caldas, do qual, depois que fui embora de lá, acabei ficando com aquele gosto de amargo na boca. Porém, quando voltei, mais de um ano depois, com a Amanda, tudo tinha uma visão diferente.
Não foram muitas as vezes que vi a Aninha, mas as poucas vezes que vi, as poucas horas que tive com ela, foram as mais especiais e importantes do meu ano. Ao contrário do último ano, esse foi um ano de conhecer pessoas. Conheci a Amanda, que eu diria que foi o ponto alto do meu ano. Simplesmente é a melhor pessoa que vou levar dessa cidade. Pouso Alegre, se tornou outra cidade esse ano. Redescobri a cidade, afinal, trabalhando, tudo fica acessível.
E experimentei máquinas. Meu trabalho, do qual me ensinou muitas coisas, mas ao mesmo tempo me trouxe tantas outras coisas. Acho que comecei a crescer. Ver um mundo maior do que eu estava conseguindo enxergar. E graças ao meu serviço, graças a fábrica, acabei conhecendo a Amanda. Claro que teve o seu lado ruim, se é que é um lado ruim. Conheci o Mauri.
Não dá para dizer que eu posso pensar no nome dele sem aquela batida mais forte do coração, desordenada. Chorei muito esse ano. Na verdade, há um bom tempo não choro com tanta frequência. Chorar faz bem, sim. Limpa a alma como mais nada consegue. Mas tem um alto custo. Chorar é tão humilhante, medíocre, e ao mesmo tempo, tão humilde e sincero, e belo também. Acho que mais patético trancado em meu quarto, sentado atrás da porta.
E me reencontrar. E me reinventar. Tudo de novo. Renovar aquilo que já teve que ser renovado. Isso é tão importante. Mesmo assim, algumas vezes é um processo tão doloroso. Afinal, para se ter que mudar, é porque alguma coisa está muito errada. Ninguém quer mudar o que está bem. Perdi as contas de quantas vezes subi essa rua de casa, chorando, rápido e silenciosamente, seis horas da manhã, saindo de uma noite, da qual, com certeza queria esquecer.
Esse foi o ano da noite. Vivi tão mais à noite, que minha pele está mais branca que o normal. Por causa da noite também eu fiquei doente. Dormir de dia, e ter uma má alimentação não é a melhor coisa a se seguir. Perdi as contas de quantas vezes eu fiquei doente esse ano. Tive até que tomar soro na veia, coisa que nunca me ocorreu antes. Tudo resultado de uma má qualidade de vida. Má alimentação, dormir de dia, e também o estresse diário, me causaram dores horríveis.
Estresse no trabalho, e em casa também. Foi um ano muito importante, afinal contei aquilo que eu sempre quis dizer. Ainda não sei como eu tive a coragem que era necessária, mas está tão melhor assim, mesmo com as brigas, e a pegação no pé da minha mãe. Nem consigo mais imaginar não ser da maneira que é agora. Eu sou gay, e tenho orgulho disso, e todos com quem convivo sabem. Aceitando ou não. Respeitando ou não.
Foi um ano diferente do qualquer outro. Novas experiências, novos momentos para guardar na memória. Novas pessoas para querer estar perto, e novas pessoas para querer não pensar nelas. Pessoas que já trouxe de fases antigas, e outras que talvez sempre estiveram ali, mas que apenas agora se fazem destaque. Eu não tenho a mínima ideia do ano que está para começar amanhã. Tão poético e piegas: Eu sei do ontem, acredito que sei do hoje, mas desconheço, quase totalmente, o amanhã.
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